O prenúncio da desistência no amanhã…

O prenúncio da desistência no amanhã…

Hoje, na hora do almoço, eu estava em um restaurante do tipo self-service, quando vi uma cena tão familiar que simplesmente não pude deixar de observar:

Uma bela e gorda jovem, colocou dois ovos cozidos no prato, algumas folhas de rúcula e sentou-se na mesa em frente a que eu estava. Olhava com tristeza e desânimo para os alimentos, aparentava estar se preparando para suportar um momento de muita infelicidade. Comeu olhando para o celular quase o tempo todo, tirando o máximo possível a sua atenção do que ingeria, empurrando a refeição para dentro de si.

Todo o respeito e a alegria que poderia envolver esse momento tão importante para nós, a hora de alimentar o corpo, de nutrir a máquina que habitamos para que ela nos sustente durante toda uma vida, estava ausente.

Vivemos um momento histórico interessante, temos comida farta, apesar da má distribuição e utilização (a fome persiste no mundo muito por causa da ambição de alguns e da inação e descaso de outros), e temos também uma quantidade nunca antes disponível de informação de valor, de conhecimento acumulado sobre alimentação adequada, saúde, qualidade de vida. O que fazer, como se alimentar melhor, o que não faz bem, porcarias presentes nos produtos industrializados…

E, mesmo assim, a maioria dos que têm condições de adotar um estilo de vida mais saudável, simplesmente não o fazem. Esporadicamente resolvem fazer dietas radicais, exercícios, levam por um tempo o novo projeto adiante, mas depois de um certo prazo, não aguentam mais o “sacrifício” e desistem.

É exatamente isso que torna esse projeto, um processo natimorto, que nasce sem possibilidades reais de sobreviver, o fato dele ter sido idealizado como um sacrifício.

Passei por isso! Por isso reconheci a cena. Fiz várias vezes esses sacrifícios temporários, alguns bem radicais, e tudo o que eu conseguia era alimentar a minha dor interna, a minha frustração, a minha baixa autoestima, desenvolver complicações gástricas (eu realmente me sacrificava de vez em quando), e fortalecer o efeito sanfona.

Mudar hábitos já é difícil. Se, em um projeto de transformação pessoal,  eliminarmos de forma abrupta e total, qualquer forma de prazer, de compensação, de alegria, ele não vai durar muito tempo! Precisamos respeitar nossas características, nossos limites temporários, ir gradualmente conhecendo e expandindo nossas supostas fronteiras.

Não vai acontecer da noite para o dia, mas vai ser uma transformação duradoura, que servirá de base para as próximas. Progressivamente, e tendo sempre em mente o que se quer alcançar em um prazo maior de tempo, ir jogando para a consciência os  comportamentos atuais, escolhendo o que fazer com eles, e agindo com mais sabedoria e confiança na construção de novos.

A tristeza que vi hoje, é o prenúncio da desistência no amanhã.

Quem sou!

Um ser que gosta muito do humano, que busca aprofundar conhecimentos em áreas estratégicas e que tem força para mexer com gente: Psicologia, Comunicação, Marketing, Coaching.

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