A violência nossa de cada dia…

A violência nossa de cada dia…

Outro dia, quando eu voltava do almoço para o meu “coachtório” participei de uma cena inusitada que, no meu entendimento, reflete apenas uma fração mínima da Violência nossa de cada dia, e como estamos nos acostumando com ela.

Estamos ficando cada vez mais violentos, mas é possível reverter isso.

Meu espaço de trabalho ficava em um prédio comercial no início da Asa Norte, no centro de Brasília, algumas empresas e muitos profissionais liberais, como eu, ocupam as salas. Contamos com um sistema de segurança, o visitante só entra e sai com um cartão de identificação.

Eu ia entrando por uma das portarias, que estava bem mais movimentada do que o normal, muitos querendo sair, outros aguardando para entrar, quando a discussão começou:

– Moço, não achei o meu cartão! Fala bem alto uma jovem senhora,  para um ajudante que sempre fica por perto para auxiliar quem tem dificuldades com a catraca eletrônica.
– Senhora, por favor, procura novamente! Será que a senhora não esqueceu na sala em que estava? Responde ele.
– Moço, eu quero sair! Não sei onde está o cartão! Em um tom ainda mais alto, e emenda: – Você não tem o direito de impedir que eu saia!
– Calma senhora, eu só estou seguindo as regras de segurança!
– Eu quero Sairrrr!!!
– Senhora, vou pegar um cartão para liberar a saída! E sai em direção a central de identificação. Fato também raro, ele sempre tem um cartão extra na mão, mas naquele dia…

Neste rápido intervalo, ela pula pela lateral da catraca, falando impropérios abertamente, em voz alta e clara.

Ele vem se aproximando de volta. Quando ele chega perto, ela ainda liberando verbalmente a sua raiva e insatisfação, lança o conteúdo restante de uma garrafa de água que trazia na mão, em direção a ele e de quem estivesse por perto, no caso eu, que aguardava na fila para entrar. 

Interessante como havia água ali.

Que momento foi esse? Me perguntei olhando para a minha calça, agora com grossos pingos de água, imagina se ela estivesse com algo perigoso na mão.

Nervos à flor da pele?


Não sei o que havia acontecido com essa senhora, de repente uma notícia ruim, mas quantas brigas bobas terminam em tragédia  diariamente porque as pessoas não pensam antes de agir?

Estamos todos muito irritados, impacientes, imediatistas, agressivos, com o pavio curto, mais violentos mesmo!

Estamos o tempo todo expostos, e retroalimentando, a violência nossa de cada dia com os  nossos atos, as nossas omissões, com as palavras e os silêncios que escolhemos exteriorizar.

É possível acabar com a violência humana? Não sei! Temos naturalmente um pouco de sangue nos olhos, mas sei que podemos diminuir a nossa contribuição diária para este aumento crescente nos tornando menos violentos individualmente.

Como alimentar menos a Violência nossa de cada dia?

  • Parando de acompanhar (e compartilhar), 24 horas, notícias violentas, imagens e vídeos grotescos, textos estúpidos, que apenas alimentam o nosso medo, o nosso lado irracional.
  • Fazendo uso do melhor remédio já criado para combater a ansiedade gerada por momentos tão acelerados e exigentes como o atual: a respiração! Respirar, respirar, respirar. Promovendo a pausa necessária para que nossa razão domine a situação e dê respostas mais adequadas em momentos de tensão.
  • Buscando entrar em contato, nos aproximar, nos tornar íntimos, de conteúdos e pessoas que promovam a nossa evolução, e não a nossa regressão para o estado animal de ser, para que em nosso cotidiano a gente consiga agir com mais inteligência, coerência e tolerância.

“Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si.”

Rubem Alves

Quem sou!

Um ser que gosta muito do humano, que busca aprofundar conhecimentos em áreas estratégicas e que tem força para mexer com gente: Psicologia, Comunicação, Marketing, Coaching.

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